GALVEZ IMPERADOR DO ACRE - 2004/5

Galvez é o Imperador que o Brasil não conheceu. O espetáculo, baseado na obra homônima de Márcio Souza, vem reparar esse esquecimento e narra a vida e a prodigiosa aventura de Dom Luiz Galvez Rodrigues de Ãria nas fabulosas capitais amazônicas, e a burlesca conquista do território acreano contada com perfeito e justo equilíbrio de raciocínio, para a delícia dos espectadores. Ambientado, teoricamente (!), no fim do século XIX, mostra como o rápido avanço da revolução industrial multiplicou a demanda da borracha - motivo e fundamento do delirante boom amazônico, cujo monumento mais vistoso é Manaus, a capital da selva, a meca dos caçadores de fortuna, politiqueiros, rameiras de luxo e de outros gêneros, em suma, de visionários e aventureiros. Misturando dados fictícios e históricos o espetáculo mostra um homem invulnerável aos golpes do destino - sejam estes: emboscadas, dilúvios, doenças, canibais e flechas, amores eclesiásticos e amizades equívocas - e que funda no norte do Reino do Brasil, o efêmero império do Acre.

Trata-se de um folhetim humorístico que, ao mesmo tempo, evidencia a capacidade do autor refletir, no relato de acontecimentos do passado, o presente caótico da realidade brasileira e latino-americana.

Galvez Imperador do Acre é um espetáculo brasileiro em toda a sua essência e procura avançar com as discussões levantadas pelo autor sobre a formação burguesa e política do Brasil.



FICHA TÉCNICA

Encenação
Marcio Aurelio

Baseado no romance homônimo de Márcio Souza

Adaptação
Carlos Canhameiro

Elenco
Ana Carolina Godoy, Ana Paula Perche, Camila Ivo, Carlos Canhameiro, Davi Valle, Fábio Basile, Fabrício Licursi, Felipe Chagas, Gustavo Xella, Heidi Monezzi, João Martins, Luciana Gabriel, Marcelo Pinta, Mariana Goulart, Marina Baeder, Paula Mirhan e Sandro Masai

Iluminação
Marcio Aurelio

Figurinos
Marcio Aurelio, Heidi Monezzi e Marina Baeder

Cenário
Márcio Aurelio e Cia. Les Commediens Tropicales

Música e Sonoplastia
Allen Ferraudo e Rafael Vanazzi

Preparação Corporal
Gracia Navarro e Lara Rodrigues

Preparação Vocal
Melissa Maranhão

Produção
Carlos Canhameiro

Duração
105 minutos

COMENTÃRIOS
“De saída há de se festejar o interesse do grupo pela exploração de matéria literária que anuncia aspectos até hoje subterrâneos na história da sociedade brasileira†- Kill Abreu, Festival de Curitiba - 2005
“Para o contexto de um grupo de atores e atrizes em formação, há de se relevar o rendimento excelente do elenco, que não se esgota na mera vitalidade e em geral reafirma-se nos momentos em que se pede a atuação mais individualizada†- Kill Abreu
“A voltagem erótica de algumas cenas logo é substituída pelo desencantamento, a percepção de que não há para quem torcer nessa arena. A disposição dialética dos temas, um roçar de realidade e ficção, ecoa a formação burguesa e política do Brasil†- Valmir Santos, Folha de São Paulo
“Sátira feroz aos dominadores, Galvez faz rir, peca na duração excessiva e ganha atualidade ao fundir elementos que, propositadamente, fazem o espectador se perder ao tentar imaginar a cronologia daquela história†- Dirceu Alves Jr, Revista IstoÉ
“A energia e alegria do grupo são inegáveis, conseguindo contagiar a platéia em alguns instantes. Talvez com alguns cortes empolgaria muito mais†- Maria Lúcia Candeias da Gazeta Mercantil
“Quem diria que o muito justamente super-premiado em 2OO4 Márcio Aurélio fosse tropeçar tão estrondosamente com este Galvez. Nas pegadas  de Zé Celso M.Correa, talvez, fugindo de sua equilibrada e nobre visão viscontiana  anterior, o diretor consegue um resultado onde tudo soa gratuito,desde a nudez à insistência pegajosa de sexo grupal, na linha do grotesco†- Afonso Gentil é crítico da APCA



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TERROR E MISÉRIA NO III REICH – 2003/4


Bertolt Brecht (1898-1956), autor e diretor alemão, trouxe a luta de classes para a poesia da cena, mostrando o homem como sujeito transformador de sua realidade. Em 1933 abandonou a Alemanha nazista, e no exílio escreveu, entre outras peças, Terror e Miséria no III Reich. Trata-se de um texto épico, ondexenas independentes são justapostas para retratar a Alemanha no período em que Hitler estava no poder. As cenas foram criadas a partir de recortes de jornais do período pré-guerra - 1942-3, época em que a Alemanha vivia o temor de um governo totalitário e inquisidor. Para retratar esta sociedade abalada pela eminência de uma guerra próxima, e pelo surgimento de uma facção preconceituosa e extremamente nacionalista (que desejava a todo custo o "soerguimento do povo alemão", humilhado pelo Tratado de Versalhes), Brecht percorre as diferentes classes sociais, retratando as relações que se estabelecem ou se rompem perante o medo. O texto retraía com precisão o pior sintoma da existência do totalitarismo: a destruição das relações humanas, desorganizando propositalmente qualquer possibilidade de reação ao regime.

FICHA TÉCNICA

Encenação
Marcelo Lazzaratto

Texto
Bertolt Brecht

Elenco
Adilson Ledubino / Ana Carolina Godoy / Ana Paula Perche / Camila Ivo / Carlos Canhameiro / Cláudia Funchal / Davi Valle / Dayanna Abath / Fábio Ferracini / Flávia Hiroki / Flávio Rodrigo / Francisco Wagner / Heidi Monezzi / João Edson / Luciana Gabriel / Luisa Helene / Maria Carolina / Mariana Goulart / Marina Baeder / Mariza Junqueira / Nádia Morali / Paula Mirhan / Tibério César

Elenco de Apoio
Alda Abreu / Carlos Gontijo / Carolina Capacle / Caroline Ungaro / Daniela Alves / Janaina Carrer / Leonardo Garcia / Tetembua Dandara / Thaís Rossi / Marilene Grama

Preparação Corporal
Alexandre Caetano e Luis Monteiro

Preparação Vocal e Canto
Margarida e Sara Lopes


Música e Sonoplastia
Rafael Vanazzi


Iluminação, Cenário e Figurinos: 
Marcelo Lazzaratto e Cia. Les Commediens Tropicales

Produção
Carlos Canhameiro

Duração
180 minutos

COMENTÃRIOS
Melhor Espetáculo – Mostra Fringe 2004, segundo a Folha de São Paulo
“A montagem segura o interesse do público e é animador ver alunos aprendendo a construir com o máximo de realismo†- Beth Néspoli do Estado de São Paulo
“Os atores de Terror e Miséria no III Reich promoveram em Curitiba uma intervenção urbana à altura dos bons tempos do Teatro da Vertigem†- Sérgio Coelho, ex-crítico da Folha de São Paulo.
“A montagem de Lazzaratto e Les Commediens Tropicales convence desde o figurino aos cenários, com a utilização inédita e criativa dos barracões do Departamento de Artes Cênicas da Unicamp; e principalmente, pelos atores, que mantêm o pique do espetáculo e a intenção do texto†- Carlota Cafiero do Correio Popular
“O resultado da dedicação é que a crítica e o público aplaudiram de pé a montagem e, segundo o diretor, a peça deve retornar em novembro. O sucesso inesperado da peça foi um presente para o elenco iniciante†- Priscila Lobregatte do site Vermelho



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